quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

NA ALEMANHA NÃO FUMAR DÁ DEMISSÃO

Li, nesta semana, no site da BBC Brasil, algo que me chamou muito a atenção. A manchete: “Empresário alemão demite funcionários por não fumarem”. E aí pensei que o inusitado, o incomum e o diferente realmente nos despertam mais a atenção do que o comum, ou, ”normal”. A matéria afirmava que o proprietário de uma pequena companhia de tecnologia na cidade de Buesum, na Alemanha, está sendo processado por demitir três funcionários não-fumantes para substituí-los por fumantes. Segundo o jornal alemão Hamburger Morgenpost, os funcionários que já trabalhavam na companhia há cerca de dois anos e meio, foram demitidos depois de pedirem a criação de uma área específica para não fumantes na empresa. O empresário Thomas Jenssen disse que os três funcionários estavam "interferindo com a tranqüilidade da corporação" e que decidiu substituir os três por fumantes porque eles "se adaptariam melhor". Jenssen está respondendo a processo por demissão sem justa causa. E explicava mais o texto da BBC Brasil: A Alemanha introduziu no dia 1º de janeiro a proibição ao fumo em bares e restaurantes, mas os alemães que trabalham em pequenos escritórios ainda podem fumar no ambiente fechado. O dono da empresa, que tem dez funcionários, considera a proibição do fumo um ataque à liberdade individual. "Não posso ficar me preocupando com encrenqueiros. Estamos no telefone o tempo todo e é mais fácil trabalhar enquanto fumamos", disse Jenssen ao Hamburger Morgenpost. “Todos sempre se queixam dos fumantes, agora o jogo mudou”. “Eu, pelo menos, agora só vou contratar fumantes”. No entanto, depois de consultar um advogado, o dono da empresa evitou dar mais declarações ao diário de Hamburgo. Um advogado trabalhista disse ao jornal alemão que os demitidos têm boas chances diante de um tribunal, já que "não podem ser punidos por terem defendido um direito, como o à saúde”. Reli a matéria e me perguntei se realmente aquilo acontecera na Alemanha, um país do chamado Primeiro Mundo. Não seria no Brasil? Não, realmente aconteceu na rica e desenvolvida Alemanha. Neste mundo globalizado, desigual e injusto, cada vez mais o insólito, o absurdo, o extravagante e o incomum acontece e repercute mais do que a prática da justiça, da solidariedade e da comunhão entre os homens. Vejamos a "normalidade" da situação: não fumantes que preservam suas vidas e dos demais que com eles convivem, são prejudicados, pois trazem "intranqüilidade" ao ambiente de trabalho. Diferentemente, os que fumam e que camuflam a ansiedade com o uso da nicotina e outros alcatrões, que matam aos poucos, a si mesmos, como fumantes ativos, mas também aos outros, que não fumam, são recompensados. Homens feras, homens perdidos, homens sem Deus. Homens, apenas, e tão somente, homens... que seres estranhos!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

EM DRUMMOND TAMBÉM HÁ GRAÇA

Em minhas reflexões e procuras sobre o significado da vida e o confronto entre as idéias do economista que busca na ciência e as do pastor que busca – e encontra - na Bíblia Sagrada respostas para seus questionamentos, encontro respostas, também, entre pessoas reconhecidamente sem muita intimidade com Deus e com as “coisas do espírito”, mas que são sensíveis para entender e interpretar os sentimentos e que, consciente ou inconscientemente, revelam a graça. Veja como Drummond interpreta, neste poema, o amor:


AS SEM RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo bastante a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga, nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)